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Verme amazônico pode se tornar novo modelo para pesquisas ambientais em regiões tropicais

Um estudo publicado em fevereiro deste ano na revista científica internacional Invertebrate Reproduction & Development descreve pela primeira vez o ciclo de vida completo do pequeno verme amazônico (um tipo de nematóide) Caenorhabditis tropicalis e aponta seu potencial como organismo modelo para pesquisas experimentais, especialmente em regiões tropicais.

A pesquisa demonstra que a espécie apresenta ciclo de vida curto — cerca de 48 horas — e desenvolvimento semelhante ao do Caenorhabditis elegans, organismo amplamente utilizado em estudos laboratoriais no mundo todo.

O estudo integra os esforços científicos apoiados pelo Consórcio de Pesquisa em Biodiversidade Brasil–Noruega (BRC), que investe na produção de conhecimento sobre a biodiversidade amazônica e seus processos ecológicos. Ao investigar espécies nativas, como C. tropicalis, a pesquisa contribui para o desenvolvimento de ferramentas experimentais mais adequadas às condições ambientais da região.

O C. elegans é um dos organismos mais utilizados globalmente em estudos de biologia, genética, envelhecimento e ecotoxicologia. No entanto, trata-se de uma espécie predominantemente associada a regiões de clima temperado.

Segundo o pesquisador Erivaldo Baia,  a escolha do organismo utilizado em estudos experimentais pode influenciar diretamente a forma como os impactos ambientais são compreendidos.

"A utilização dessa espécie como modelo experimental, principalmente em estudos que visem avaliar o efeito tóxico de substâncias químicas, vai possibilitar uma avaliação mais realista do efeito de contaminantes na fauna amazônica. A utilização de espécies que nem mesmo ocorrem na nossa região, como é o caso do nematoide C. elegans, pode acabar não refletindo a realidade e até mesmo mascarar possíveis efeitos nocivos de contaminantes nos organismos locais."

O estudo reforça a importância de considerar espécies adaptadas a ambientes tropicais em pesquisas ambientais, especialmente em contextos como o da Amazônia, onde as condições ecológicas diferem significativamente de outras regiões do mundo.

 

O artigo completo está disponível para leitura aqui

Sobre o BRC:

 

O Consórcio de Pesquisa em Biodiversidade Brasil-Noruega (BRC) é uma iniciativa para cooperação e desenvolvimento de pesquisas ambientais na Amazônia, integrada pela Universidade Federail do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Museu Emílio Goeldi, Universidade de Oslo e a Hydro. Com o financiamento do Fundo Hydro, conta na Secretaria Executiva com o Instituto Peabiru.

Texto: Ana Lucia Galvão | Revisão: Luciana Kellen

SOBRE NÓS

O Consórcio de Pesquisa em Biodiversidade Brasil-Noruega (BRC) foi criado em 2013. Reunindo cinco instituições brasileiras e norueguesas, o objetivo principal da cooperação é desenvolver pesquisas ambientais na Amazônia oriental brasileira.

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